



Bíblia Gaudéria
Este texto anônimo foi encontrado escrito à ponta de faca e facão no balcão de um bolicho (ou tapera), em Uruguaiana - RS. Foi escrito ao longo de muitas idas ao bolicho, e, visto pela grafia do índio, encontrava-se nos mais variados estados etílicos que a mente de um gaudério pode chegar.
O texto é grande mas vale a pena...
Os Causos da escritura
Pois não sei se já les contei os causo das Escritura Sagrada. Se não les contei, les conto agora. A história essa é meio comprida, mas vale a pena conta por causa dos revertério.
De Adão e Eva acho que não é perciso conta os causo, porque todo mundo sabe que os dois fora corrrido do Paraíso por tomá banho pelado numa sanga.
Naqueles tempo, esse mundaréu todo era um pasto só sem dono, onde não tinha nem dele nem meu. O primeiro índio a botá cerca de arame farpado foi um tal de Abel.
Mas nem chegou a estendê o primeiro fio porque levou um pontaço nos peito do irmão dele, um tal de Caim, que tava meio desconforme com a divisão. O Caim, entonces, ameaçado de processo feio, se bandeou pro Uruguai. Deixo o filho dele, um tal de Noé, tomando conta da estância.
A estância essa ficava nas barrancas de uma corredêra e o Noé, uns ano despois, pegou uma enchente muito feia pela frente. Cosa muito séria... Caiu água uma barbaridade! Caiu tanta água que tinha até índio pescando jundia em cima do cerro.
O Noé entonces boto as criação em cima de uma balsa e se largou nas correnteza o índio velho. A enchente era tão braba que quando Noé se deu conta, a balsa tava atolada num banhado chamado Dilúvio. Foi aí que um tal de Moisés varou aquela água toda com vinte junta de boi e tirou a balsa do atolero.
Bueno, aí com aquele desporpósito, as família ficaram amiga. A filha mais velha do Noé se casou-se com o filho mais novo do Moisés e os dois foram mora numa estância muito linda, chamada Estância Babilônica.
Bueno, tavam as família ali, tomando um mate no galpão, quando se chegou um correntino chamado Golias, com mais uns trinta castelhano do lado dele. Abriram a cordeona e quiseram obrigá as prenda a dança uma milonga. Foi quando os velho, que eram de muito respeito, se queimaram e deu-se o entrevero.
Peleia braba seu. O correntino Golias, na voz de vamos, já se foi e degolou de um talho só o Noé e o velho Moisés, e já tava largando planchaço em cima do mulherio quando um piazito carretero, se seus dez ano e pico, chamado Davi, largou um bodocaço no meio da testa do infeliz que não teve nem graça. Foi me acudam e to morto.
Aí a indiada toda se animou e degolaram os castelhano. Dois que tinham desrespeitado as prenda foram degolado com o lado cego do facão. Foi uma sangüera danada. Tanto que até hoje aquele capão é chamado de Mar Vermelho.
Mas entonces foi nomeado um tal de Major Salomão. Homem de cabelo nas venta, o major Salomão. Nem les conto! Um dia, o índio tava sesteando quando duas velha se bateram em cima dum piazito de seus seis ano que tava vendendo pastel. O major Salomão, muito chegado ao piazito, passo a mão no facão e de um talho só, corto as velha em duas. Esse é o muito falado causo do perjuizo de Salomão que contam por aí.
Mas, por essas estimativas, o major Salomão, o que tinha de brabo, tinha de mulherengo. Eta índio Bueno seu. Onde boleava a perna, já deixava filho feito. E como vivia boleando a perna, teve filho que Deus nos livre. E tudo com a cara dele, que era pra não have discordança.
Só que quando Deus Nosso Senhor quer, até égua veia nega estribo.
Logo a filha das predileção do major Salomão, a tal de Maria Madalena, fugiu da estância, e foi sê china de bolicho. Uma vergonhêra pra família! Mas ela puxou a mãe, que era uma paraguaia meio gaudéria que nunca tomo jeito na vida.
O pobre major Salomão se matou-se de sentimento, com uma pistola Eclesiaste de dois canos. Mas veja como é a vida. Pois essa mesma Maria Madalena se casou-se três anos despois com um tal coronel Ponciano Pilatos. Foi ele que tirou ela da vida. Eu conheço uns três causo do mesmo feitio e nem um deles deu certo.
Como dizia bem o finado meu pai, mulher quando toma mate em muita bomba, nunca mais se acostuma com uma só. Mas nesse contraprocedente, até que hove uma contrapartida.
O coronel Ponciano Pilatos e a Maria Madalena, tiveram doze filho, os tal de apósto, que são muito conhecido pelas caridade que fizeram. Foi até na casa deles que Jesus Cristo churrasqueo com a cunhada de Maria Madalena, que despois foi santa muito afamada. A tal de Santa Ceia.
Pois era uns tempo muito mal definido. Andava uma seca braba pelos campo. São José e a Virge Maria tinham perdido todo o gado e só tavam com uma mula branca no potrero, chamada Samaritana. Um rico animal, criado em casa, que só faltava falá. Pois tiveram que se desfazê do pobre... E como a desgraça quando vem, já vem de braço dado, foi bem aí que estouraram as revolução. Os maragato, chefiado por um tal de coronel Jordão, acamparam na entrada da Vila.
Só não entraram porque tava lá um destacamento comandado pelo tenente lázo, aquele mesmo que por duas vez foi dado por morto.
Mais um cabo dos provisório, um tal de Judas, se bandeou-se pros maragato e já se veio uns tal de Romano, que tavam numas várzea e ocuparam a Vila.
Nosso Senhor foi pra se degolado por um preto muito forte e muito feio chamado Calvário.
Pois vejam como é a vida. Esse mesmo preto Calvário, degolador muito mal afamado, era filho da Velha Palestina, que tinha sido cozinhera da Virge Maria. Degolador é como cobra, desde pequeno já nasce ingrato.
Mas entonces botaram Nosso Senhor na cadeia, junto com dois abigeatário, um tal de João Batista e o primo dele, Heródio dos Reis.
Os dois tinham peleado por causa de uma baiana chamada Salomé, e no entrevero, balearam dois padre, monsenhor Caifas e o cônego Atanásio.
Mais veio uma força da Brigada, comandada pelo coronel Jesus Além, que era meio parente do homem por parte de mãe e com ele veio mais três corpo de provisório e se pegaram com os maragato. Foi a peleia mais feia que se tem conhecimento. Foi quarenta dia e quarenta noite de bala e bala.
Morreu três santo na luta: São Lucas, São João, São Marco. São Mateus ficou três mês morre não morre, mas teve umas atenuante a favor e se salvo-se o índio...
Nosso Senhor pegou três balaço, um em cada mão e um que varou os pé de lado a lado. Ainda levou mais um pontaço do mais velho dos Romano, o Cezar Romano, na altura das costela. Ferimento muito feio que Nosso Senhor curou tomando vinagre na sexta-feira da paixão..
Mas aí, Nosso Senhor se desiludiu-se dos home, subiu na Cruz, disse adeus pros amigo e se bandeo de volta pro céu.
Mas deixo os dez mandamentos, que são cinco e que se pode muito bem acolherá em dois:
1º - Não se mata home pelas costa;
2º - Nem se cobiça mulher dos otro pela frente.



Acendem-se as luzes
Pai Bill está
Otaviana e Flavinha olham para ele entre ansiosas e desconfiadas, na expectativa de que algo aconteça.
FLAVINHA: Tem certeza que isso é uma boa idéia, mamãe?
OTAVIANA: Nós já conversamos sobre isso, filhinha. Nós duas queremos um último contato com seu pai. E a Nildinha lá do escritório disse que esse é o melhor pai de santo da cidade.
FLAVINHA: Espírita, mãe. Espírita.
OTAVIANA: Ou isso. Sei lá. O certo é que ele vai nos ajudar a conversar com seu pai.
FLAVINHA: Tomara, né? Afinal, você enterrou aí a mensalidade da minha escola.
OTAVIANA: Eu sei, filhinha. Mas tente entender: é muita saudade!
FLAVINHA: Eu já entendi, mãe. Se não eu não estaria aqui. Ô!
Nesse momento, Pai Bill aumenta o tom da voz, sempre ininteligível, e faz alguns gestos.
OTAVIANA: Ó. É agora.
Algumas luzes piscam, barulho de rádio sendo sintonizado, barulho de telefone ocupado. Pai Bill volta ao tom de voz mais baixo.
OTAVIANA: Ué...
FLAVINHA: Acho que falhou.
Pai Bill Aumenta de novo o tom da voz. Gestos, luzes, etc. Dessa vez, uma voz grave, porém macia, surge.
OSCAR: Alô?
OTAVIANA: Quem fala?
OSCAR: Você quer falar com quem?
OTAVIANA: Com o Oscar, por gentileza.
OSCAR: É ele.
OTAVIANA: (emocionada) Oscar?
OSCAR: Sim?
OTAVIANA: (mais emocionada) É você Oscar?
OSCAR: Sim. Quem fala?
OTAVIANA: Sou eu, Oscar. Otaviana.
OSCAR: Querida? É você?
OTAVIANA: Sou eu sim, Oscar. Sou eu.
OSCAR: Querida, que saudade! Por onde você tem andado?
OTAVIANA: Eu tô viva, Oscar.
OSCAR: Ah, é... Tem esse detalhe... E quem é essa gostozinha aí do seu lado?
OTAVIANA: Quê isso, Oscar! É a Flavinha! Não lembra dela?
OSCAR: Flavinha...? Hmmm... Como você está bonita!
Flavinha faz tipo, entre constrangida e ingênua-safada. Otaviana desconfia e não gosta.
OSCAR: O que foi, querida. Cê tá com uma cara...
OTAVIANA: Não é nada, não. Quer dizer: é sua voz, Oscar. Ela tá tão diferente...
OSCAR: Bom, eu morri, né?
OTAVIANA: Não. Quero dizer, sim. Mas além disso. Desculpe o trocadilho...
OSCAR: O que você quer dizer com isso?
OTAVIANA: Sua voz, Oscar. Ela ta mais grave, mais sensual, mais bonita. Isso acontece por causa da... bem, você sabe...
OSCAR: Não. Não sei. Por causa de quê?
OTAVIANA: Você sabe... A voz muda depois que você... bem... bate com as dez?
OSCAR: Hein?
OTAVIANA: Bate com as dez! Veste o paletó de madeira, vira presunto, vai pra cidade dos pés juntos, diz adeus ao mundo, apaga, vai para o beleléu, bate as botas, estica a canela, come capim pela raiz, larga a casca, desce à cova, descansa, desencarna, passa desta para melhor, empacota, fecha os olhos, pifa, vira presunto, vai para o além, vai desta para melhor, da o último suspiro, expira, vira adubo, vira comida de minhoca, vai a 7 palmos, bota o pé na cova, passa da data de validade...
OSCAR: Você está querendo dizer...
OTAVIANA: Sim, Oscar! Morrer, pô! Acontece isso com a voz depois que morre?
OSCAR: Não, não... Eu sempre tive essa voz.
OTAVIANA: Puxa! Ta bem diferente. Lembra do nosso casamento? Quando você foi dizer o “sim”, sua voz saiu tão fininha que até o padre riu.
OSCAR: Peraí! Eu não sou casado.
OTAVIANA: Claro que é, bobinho. (para Flavinha) Coitado. Essa mudança toda, esse negócio de morrer, a correria... isso deve ter mexido com a memória dele. (para Oscar) Eu sou a Otaviana, sua mulher, e essa é a Flavinha, sua filha.
FLAVINHA: Lembra, pai?
OSCAR: Não senhora! Disso eu me lembro bem! Eu nunca fui casado, e muito menos tive filha. Ainda mais gostozinha como essa.
Flavinha aquela mesma cara de vergonha e safadeza ao mesmo tempo.
OTAVIANA: Mas você disse que lembrava de mim.
OSCAR: Sim, eu conheci uma Otaviana. Essa era da pá virada. Virávamos noites sem dormir. Porres homéricos, trepadas espetaculares... Mas não me casei com ela, que eu não sou doido. E nem tive filha. Pelo menos, não que eu saiba. E Otaviana não é um nome tão comum assim. Tem certeza de que não era você? Ta meio difícil enxergar seu rosto. As nuvens atrapalham um pouco.
Otaviana esconde o rosto com a mão.
OTAVIANA: Não. Não era eu, não. Eu sempre fui muito comportada, sabe? Chata até.
Flavinha olha-a com cara de espanto.
OTAVIANA: Então certamente isso foi um engano. Um erro desse macumbeiro safado!
FLAVINHA: Espírita, mãe. Espírita.
OSCAR: É. Linha cruzada... Peraí! O meu vizinho aqui também chama Oscar. Quem sabe não é ele?
OTAVIANA: Nossa que coincidência! Dá pra passar pra ele?
OSCAR: Claro! (ele fala pra si mesmo) Como é que transfere mesmo? Aperta aqui e...
A voz de Oscar é substituída por Por Elise. Atende uma voz masculina, porém mais fina e esganiçada (e, certamente, nada sensual) que a primeira.
OSCAR 2: Alô.
OTAVIANA: Oscar?
OSCAR 2: Sim?
OTAVIANA: O meu Oscar?
OSCAR 2: Sei lá. Quem fala?
OTAVIANA: Essa voz de taquara rachada não me engana. É você sim, Oscar. Sou eu. A Otaviana.
OSCAR 2: Tatá!!! Mas eu acabei de me mudar. Ainda nem me instalei direito. Como é que você me achou aqui?
OTAVIANA: É uma longa história. Mas no final das contas, foi o seu vizinho Oscar que transferiu a ligação pra você.
OSCAR 2: Você falou com o Oscar?!?!
OTAVIANA: Foi engano. Eu achei que era você.
OSCAR 2: Ele te cantou?
OTAVIANA: Deixa de ser bobo! Ele foi, digamos, simpático.
OSCAR 2: Aquele safado! Querendo me passar pra trás! Será que ele pensa que eu morri ontem?
OTAVIANA: Você morreu ontem, Oscar.
OSCAR 2: Hein?!?! Ah, é... Bem. Mas que bom que você ligou! Eu tava com saudades.
OTAVIANA: Eu também. Nossa vida foi muito boa juntos. Foi muito dura e austera...
FLAVINHA: Austera é outro jeito de dizer pobre!
OTAVIANA: Passamos dificuldades, sim. Mas sempre fomos honestos. Sempre admirei sua integridade, Oscar. Às vezes faltava até dinheiro pra pagar a escola da Flavinha, mas você nunca foi desonesto. Sempre ali: firme! Nos guiando através das dificuldades.
FLAVINHA: É mesmo! Eu nunca pude ter roupas da moda, nem acompanhar minhas amigas nas baladas. Mas sempre pude encher o peito de orgulho do pai que eu tive. Minhas amigas, filhas de ministro, deputado... essas andavam sempre na moda. Tinham tudo do bom e do melhor. Mas nenhuma delas podia dizer que o pai era um exemplo! Era nisso que eu pensava enquanto as via, pela janela do ônibus, indo embora nos seus carrões importados.
OSCAR 2: Bem, sobre isso eu tenho algo a confessar.
OTAVIANA: Diga, querido.
OSCAR: Isso é muito vergonhoso pra mim.
OTAVIANA: Pode dizer. Você sabe que eu sempre te respeitei. Qualquer coisa que você disser certamente vai ser menor que esse sentimento. Além do mais, tenho certeza de que não é nada.
OSCAR: Eu sei, Tatá. Você sempre me foi fiel, lutadora. Mas e a Flavinha?
FLAVINHA: Eu te amo, pai. Tenho certeza de que não há de ser nada.
OSCAR: Eu enganei vocês durante um tempo...
OTAVIANA: Durante um tempo, Oscar? Quanto tempo?
OSCAR: Bem, a vida toda...
OTAVIANA: Enganou como? Não vai me dizer que você tinha outra família. Isso eu sei que não é. Você nunca teve dinheiro pra sustentar uma direito, quanto mais duas.
OSCAR: Não, eu nunca tive outra família. Mas não é por falta de dinheiro. Eu sou um cara rico. Milionário. Tenho muito dinheiro na Suíça.
OTAVIANA: Como assim?!?
FLAVINHA: Não to entendendo.
OSCAR 2: Eu sempre desviei dinheiro público. Sempre tive caixa dois. Era sempre o primeiro a entrar numa boa negociata.
OTAVIANA: Você! Mas como? E porque nunca nos contou?
OSCAR 2: É que vocês me admiravam tanto... Tinham tanto orgulho de mim... Eu não queria despontá-las.
FLAVINHA: Mas que viado!
OTAVIANA: Filho da... Quer dizer que todo esse tempo a gente viveu nesse miserê todo e o babaca aí cheio de grana guardada?
OSCAR 2: Mas eu vou corrigir isso!
OTAVIANA: Deixa de ser palhaço, Oscar! Cê tá morto. Como vai corrigir alguma coisa?
OSCAR 2: Eu te passo o número da conta e a senha. Você vai lá e saca tudo. Vai ter uma vida de rainha. Você e a Flavinha. Tudo o que vocês não tiveram durante a minha vida, terão agora.
OTAVIANA: É... Bom... Não deixa de ser uma boa idéia.
OSCAR 2: Anota aí: o número da conta é 15687.
OTAVIANA: 15687. Anotei. Diz a senha.
OSCAR 2: A senha é...
A voz de Oscar é interrompida. Pai Bill sai do seu transe e bate uma companhia, dessas de balcão de hotel, interrompendo a conversa de Otaviana e Oscar.
PAI BILL: Acabou seu tempo. Obrigado e volte sempre.
OTAVIANA: Como é?!?!
PAI BILL: Seu tempo... Acabou... Volte sempre. (gritando em direção à porta) Próximo!
OTAVIANA: Não, peraí. Agora que ele ia falar a senha do banco. Não senhor! Põe ele na linha de novo!
PAI BILL: Não dá. A não ser que a senhora pague uma prorrogação. PRÓXIMO!
FLAVINHA: Paga ele mãe.
OTAVIANA: Não dá, minha filha. Só sobrou o dinheiro do ônibus.
FLAVINHA: Quê que tem? A gente volta a pé hoje. Pra botar a mão nessa grana vale o sacrifício.
PAI BILL: PRÓXIMO!!!!
OTAVIANA: Tem certeza, minha filha?
FLAVINHA: Claro, né mãe? Ô!
PAI BILL: PRÓ-XI-MO!!!!
OTAVIANA: Não, peraí Pai Bill. Tá aqui, ó! (dá o dinheiro pra ele) Isso dá mais quanto tempo?
PAI BILL: (olha as notas com certo desprezo) Mais uns cinco minutos, no máximo.
FLAVINHA: Vai, mãe. Ele só tem que falar a conta mesmo. Dá tempo e sobra.
OTAVIANA: Ta bom, vai.
Pai Bill começa de novo a sacolejar como Stevie Wonder e a glossolalia. Depois de um tempo, a mesma voz grave do primeiro Oscar atende.
OSCAR: Alô?
OTAVIANA: Oscar?!?!
OSCAR 1: Querida, você voltou. Eu sabia! A gostozinha da Flavinha ta aí com você?
FLAVINHA: (entre sem graça e lisonjeada) Tô.
Otaviana dá um safanão em Flavinha.
OTAVIANA: Sai da linha, Oscar. Chama o outro Oscar. Rápido!
OSCAR 1: Ta bom, ta bom. Já vai. Como é que transfere essa mer...
(Por Elise)
OSCAR 2: Pronto! Tá aí. Anotou tudo?
OTAVIANA: Anotei nada, Oscar. Caiu a linha! Repete!
OSCAR 2: Caiu a linha?!?! Mas essa telefonia daí é fogo, viu? Cê tá falando pela Vivo?
OTAVIANA: Não interessa, Oscar! Só repete a senha! E rápido!
OSCAR: Tá bom, tá bom. (pra si mesmo) Onde é que eu pus aquele papel? Ah! Tá aqui. Ó, anota aí. A senha é...
PAI BILL: (toca a sineta de novo) Muito obrigado por utilizar os nossos serviços. Volte sempre. PRÓXIMO!
Otaviana cai