quarta-feira, maio 09, 2007

Pro Roberto Carlos (e pro Fábio...)

Pesadelo

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

(Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)


Ó o link pro livro proibido:

http://www.escriba.org/blog/wp-content/uploads/2007/05/paulo-cesar-de-araujo-roberto-carlos-em-detalhesrev.pdf

Ele proíbe, nóis mostra.

26 comentários:

Lets disse...

Paulo Cesar Pinheiro e Maurício Tapajós é o que há!

Obrigada pelo link, Túlio. Eu já tinha pego, mas fiquei com pudores de repassar pro pessoal. Mas é isso aí, tem de divulgar mesmo. Não se trata de uma questão de justiça, direito... O mundo não se resume a isso, graças a Deus.
Eu já li alguns trechos e achei o linguajar muito jerereca. Ele escreve como se fosse uma vizinha contando uma fofoca pra outra, com ares de sofisticação de subúrbio. Sinceramente duvido que essa seja a versão final, o que acho que não afeta o conteúdo. Mas o livro anterior dele, "Eu não sou cachorro não", foi mais bem escrito. Mas.... vamos adiante na leitura. Depois faremos um simpósio aqui.

Vivi disse...

Essa proibição foi uma bobeira sem fim!

tom paixão disse...

eu também faço parte desse grupo terrorista.
e estou divulgando também.
o rei está nu, com um cabelo ridículo e bunda murcha de fora.
toma!

Túlio disse...

Li o primeiro parágrafo.

É de uma pobreza incrível!

Lets disse...

Está com ums probleminhas de revisão gráfica, pra ser boazinha. Nada que prejudique o texto, que é de um estilo - como já disse - vizinhal.
Prossigamos.

Ó seu chefe aí atrás, Túlio!

Túlio disse...

Cadê? Cadê?

Fábio Max disse...

Eu repito o que já disse: Não houve censura, porque esta só existe se é prévia.

É direito de todo o cidadão buscar o Judiciário quando sentir-se ofendido, o que aconteceu com o RC, e a nossa legislação cível protege o íntimo do indivíduo.

A Justiça, se acionada, não interferiria por exemplo, numa biografia da Adriane Galisteu, porque esta optou por escancarar a sua vida pessoal ao público ao contrário do que faz RC.

Há que se diferenciar o artista, que é uma pessoa pública, da pessoa, esta tem a proteção da legislação civil, salvo, claro, se ela mesma não distingue as situações, como essa "apresentadora" citada.

E, sinceramente, se o livro é escrito em linguagem palha, fala em favor do RC...

Pessoalmente, acho que se abrirmos a possibilidade de escarafunchar a vida de celebridades sem qualquer limite,abrimos precedente para que se faça o mesmo conosco, porque, na teoria, somos todos iguais perante a Lei. Daí, as consequências políticas são graves... sem contar que já presenciei brigas de vizinhas especulando sobre a vida uma de outra, ou seja, por muito menos as pessoas fazem barraco...

Bento XVI disse...

Irrmãoss e irrmããss na naçón brasilerra! Acabei de chegar a esde belo paíss e ...

ROUBARAM MÉU PAPAMÓVEL!!!

malu disse...

Túlio
Essa tal 'liberdade', que você defende, só é aplicável para um dos lados.
O 'jornalista' teve sua liberdade de escrever 'censurada' mas o Roberto Carlos não tem o direito de vetar a divulgação de fatos acontecidos na vida dele? Huuummmmmm!!!!

malu disse...

Bento XV

Eu vi agora pouco uma foto sua ao lado do Noço Guia, façavor, confere se aquele seu anel de ouro, igual aquele que o seu antecessor doou para uma favela, continua no seu dedo.

Bento XVI disse...

O segurradora subssstitiu minha papamóvel, mas, quando vui abastecê-lo numa posto de gasolina aqui em San Pablo... era gasolina BATIZADA!!!

Bento XVI disse...

RÓUBÁRRAM TAMBÉM MINHAS ANÉIS E MINHA CARRRTEIRA!!!

Lets disse...

Será que tem calefação no Mosteiro de São Bento? Porque aqui em SP está um frrrrrrio....

Fábio, não se trata de questão de direito. Direito RC tem, isso não se discute.

Assim como os direitos de descendentes de artistas. Outro dia saiu uma matéria do Sérgio Augusto no Estadão sobre a verdadeira chateação que é toda vez que se precisa de alguma coisa do Grande Otelo, por exemplo. O filho dele, em vez de divulgar a obra do pai, cria caso invariavelmente. Os descendentes de Cecília Meirelles tb. E não é por falta de quem queira pagar créditos. É que eles nunca aceitam. Eles têm esse direito.
Outra coisa: descendentes que vivem da sombra do falecido, como os parentes do Jorge Amado (coisa que acho profundamente indigno). Eles vão chupar o que puderem dos ossos do escritor, e se possível aproveitar os ossos também, tudo em cima da imagem dele. Eles estão no seu direito.
O caso do Roberto Carlos toca uma questão de razoabilidade, fora da esfera do direito. Ele pode reter os livros, sim. Afinal a vida é dele e o juis lhe deu ganho de causa. Mas é uma questão de valores. O autor não difamou, não caluniou, só contou a coisa baseado em matérias de época, depoimentos..., além de ter um puta trabalhão, porque fazer uma pesquisa assim não é mole, não. O que se questiona é se RC pesou bem o que fez. O que vale mais: uma história bem contada, que até então o público sabia, mas por alto, ou passar essa péssima imagem? Eu tenho certeza que, se ele não tivesse encrencado com o livro, isso daria um upgrade positivíssimo em sua carreira, e ele voltaria a fazer shows em terra firme.

Fábio Max disse...

Lets,

Não existe discussão acerca de imagem que não envolva direito... aliás, não há na sociedade de hoje em dia, nenhuma discussão que não o envolva. E pelo bem da sociedade é bom seguir as regras da razoabilidade dele, o direito, que, bem aplicado, dá conta do recado de manter as coisas em um nível de suportabilidade.

E o direito, nesse caso, não fala em difamação ou calúnia, porque isso é crime, o Código Civil trata de proteger o intimo de cada pessoa, que não tem relação com a difamação e a calunia.

Imagine duas amigas íntimas que se conhecem e trocam confidências durante uma vida inteira. Imagine que uma delas resolva sair por aí contando que a outra, casada, teve caso com este, aquele e terceiro e o marido sabia e os dois gostavam... Não é difamação, não é calúnia porque se trata da verdade, mas gera vergonha na maioria das pessoas, da mesma forma que certas pessoas não gostam que outras saibam que usam pantufas de coelho ou que tem uma cicatriz horrivel na barriga.

É o intimo, aquelas coisas que em familia nós sabemos, mas não contamos fora de casa, salvo para pessoas muito íntimas.

E intimidade é conceito subjetivo. Tanto é subjetivo, que varia de pessoa para pessoa, mas não pode ser excluído da análise judicial, só porque a pessoa é famosa, caso do RC, que alegou em juízo a proteção da intimidade própria, de seus familiares e amigos.

Ademais, o autor do livro sabia da possibilidade de retenção judicial do livro, ele arriscou.

Os direitos autorais tem validade por toda a vida + 60 anos após a morte do autor, em favor da familia. De modo que, se a familia pede X e não pagam, simplesmente retém-se a difusão da obra. É um aspecto inerente à sociedade capitalista, talvez nisso, os socialistas sejam mais felizes.

Não quero mudar a opinião de ninguém, mas essa discussão é uma das que mostra que vivemos em uma sociedade no limite do mundo cão, porque RC que é uma pessoa discreta conquanto famosa, é tratado do mesmo jeito que o Alemão do BBB, que também é famoso mas escancarou sua vida naquele programa... são pessoas diferentes e situações diferentes, nivelá-los pelo baixo nível do segundo, seria acabar com qualquer tentativa sensata de TODAS as pessoas em preservar sua intimidade.

jorge cordeiro disse...

A historia do mundo estaria seriamente comprometida se fosse a logica do Fábio Max fosse nela aplicada. Não teríamos a Bíblia, muito menos Herodoto. Só contaríamos com as versões oficiais, devidamente chanceladas pelos interessados e escritas por relações públicas e marqueteiros.

Comparar o livro do Paulo César com fofoca de vizinhas é de uma pobreza de espírito e indigência intelectual sem fim. O livro pode não ter o estilo de um James Joyce, Machado de Assis ou Olavo Bilac, mas tem importância histórica sem fim. Como pesquisador, o autor da biografia fez uma obra-prima sobre um período importante da cultura musical brasileira, que o Roberto Carlos quer esconder de todos. Mas felizmente ele nunca conseguirá porque vivemos sob novos paradigmas, graças principalmente à internet.

O mesmo se aplica às draconianas leis de direitos autorais e propriedade intelectual. Isso tudo está se desmanchando rapidamente com o progresso do desenvolvimento tecnológico. A indústria fonográfica está começando a perceber isso, os estúdios de cinema também, alguns artistas idem. Há quem resista, o que é tolice. É preciso saber surfar uma boa onda, caso contrário ela vai quebrar em cima de vc - e ela sempre quebra, não tem jeito.

Voltando ao RC, como bem disse Paulo Coelho, a partir do momento que escolheu a carreira de artista, ele perdeu sua privacidade para sempre. Sempre vai gerar curiosidade do público, de jornalistas, de pesquisadores e historiadores. E é uma besteira sem tamanho achar que vai conseguir, na Justiça, bloquear isso. Não foi o primeiro a tentar, nem será o último, mas em tempos de internet, os que assim pensarem vão perder sempre. Para o bem da história cultural da humanidade!

Data vênia, o resto é papo de advogado e quetais...

Lets disse...

Xi! Bom dia!

Eu não falaria com o Fábio Max nesse tom, mas o Jorge Cordeiro entendeu o cerne do que eu disse. O Paulo Cesar Araujo poderia muito bem escolher um caminho mais fácil: fazer uma biografia de Machado de Assis, por exemplo, acrescentando fatos e especulações idiotas, por exemplo que ele tinha complexo de inferioridade, de Carolina o traía, que MA era um frouxo, que não defendeu sua afro-ascendência, que ele não usava cuecas, que cuspia na rua, etc. Aí, pelo direito, tudo bem, porque ele não não deixou descendentes e por isso pode-se fazer dele gato-e-sapato. Seria um sucesso relativo, mas não teria credibilidade nos meios que tratam de Machado de Assis.

O que procuro mostrar, Fábio, é a questão fora da esfera do direito. É a reação e o julgamento do público e da crítica.

Esse livro sobre o RC iria ser divulgado de qualquer jeito. O juiz tomou a decisão que considerou a certa. Quem não pesou os prós e contras foi RC: no fim, todo mundo lerá o livro e ficará mais patente uma imagem negativa, a da tibieza de sua personalidade. Só.

Bem, eu estou lendo o livro. Lá, há várias informações que o público está cansado de saber por divulgação dele próprio. Apesar da linguagem bem simples (que até entendo), é uma pesquisa séria. Nos primeiros capítulos, está muito clara a vontade que ele tinha de aparecer a qualquer custo. Agora ele que agüente. Justo ou não, é esse o mundo no qual ele tanto lutou para entrar, e não tem mais volta.

Túlio disse...

Bons dias!

Além do mais, pelo que me consta, o biógrafo não especulou coisas (a favor ou contra), mas fez uma compilação de fatos sabidos e divulgados, tranformando-os numa história cronologicamente lógica. Só isso.

Ora, entendo eu que não sou advogado nem nada, se o sujeito pega informações que já estão por aí, então não está ferindo nada além de atrapalhar a intenção de RC de lançar sua biografia oficial, nénão?

Fábio Max Marschner Mayer disse...

A lei protege a intimidade na mesma medida em que faculta à pessoa decidir se ela pode ser devassada por qualquer um e a que tempo isso se dá.

E a intimidade só pode ser devassada por escutas telefônicas e quebras de sigilo, com autorização prévia de autoridade, geralmente juiz, em situações estritas da Lei.

Se as pessoas não gostam de "advogados e quetais" não aceitam a vida em sociedade... resta o rumo de encontrar um lugar inóspito e viver nas cavernas, onde não é necessário lei nenhuma.

Fábio Max Marschner Mayer disse...

Leticia,

Eu entendo a sua argumentação, mas o fato é que se depender sempre da vontade popular, instaura-se o mundo cão.

E há uma diferença enorme de credibilidade entre boatos de internet e um livro publicado.

Lets disse...

Mas, Fábio, ninguém fez escuta telefônica ou quebra de sigilo. Foi o que o Túlio disse: ele compilou dados e colocou-os em ordem cronológica. E fez entrevistas a respeito de uma pessoa pública.

Ps.: vocês estão lendo o PDF?

Lets disse...

Entendo o "mundo cão" de que você fala. Mas você há de concordar que não é esse o caso. O autor é formado em história pela UFF, com especialização em Música Popular. Se fosse uma qualquer que tivesse passado uma noite com RC e tivesse lançado um livro "Minha vida com Roberto Carlos, em detalhes", aí sim. É o que eu disse: faria um relativo e brevíssimo sucesso, mas com credibilidade zero.

Túlio disse...

Pois é, Lets. Eu entendo a coisa desse jeitão aí. E, Fábio, existem o mundo cão e o historiador sério. Cada lugar na sua coisa.

Ou não? (citando Caetano Veloso).

(ia até botar outro poste, mas tá divertido esse aqui.)

Túlio disse...

Ah, eu tô lendo aos pouquinhos. O tempo aqui tá curto e tô sem net em casa... Coisa de pobre...

Fábio Max Marschner Mayer disse...

O que eu quis dizer é que a Lei é para todos e as regras de quebra de sigilo seguem a lógica do sistema, em proteger a intimidade.

Não vou ler o PDF...

Lets disse...

Põe o outro post aí, Túlio.

Túlio disse...

É, cansou...