quinta-feira, julho 19, 2007

Cadê o hômi?

NUMA CRISE SE OBSERVA QUEM É LIDER, QUEM É ENGANAÇÃO

Antonio Ribeiro de Paris

O presidente Lula está longe do alcance da retina do cidadão brasileiro desde que aconteceu a maior tragédia da aviação da América Latina. Lula fez ler uma nota protocolar que decreta o luto. Mandou fazer saber da sua querência da abertura de inquérito policial e dizem seus acólitos, está consternado. Numa tragédia desse porte, qualquer presidente digno do cargo teria se achegado de imediato aos familiares e amigos das vítimas. Teria ido apertar contra si o filho órfão, abraçar a mãe e o pai em desespero, compartilhar da tristeza do amigo inconsolável. Seria o mínimo. E se não fosse presidencial, seria mesmo, bem brasileiro. Mas não. O presidente se precaveu com aquela distância que rainha britânica Elizabeth II tomou do povo inglês depois da morte da princesa Diana. Não é bem o desdém ou a falta de consciência da tragédia que acometeu George W. Bush seguida a visita devastadora do furacão Katrina em Nova Orleans. Lula sabe bem do tamanho da encrenca.

O presidente sente sim, o temor de ser acusado de contribuir para não evitar a tragédia anunciada desde 2003 pelo então ministro da Defesa José Viegas que previa o caos aéreo se nada ou pouco fosse feito para evitar. Lula teme o parente de uma vítima lhe fazendo a acusação a queima roupa. Seria tão ou mais desconfortável que as vaias de mais de 80.000 no Maracanã. Contrário ao palmarès dos escândalos de corrupção onde, sistematicamente, o presidente disse ter estado alheio, é impossível afirmar o desconhecimento do caos aéreo e que tudo fez para evitar suas conseqüências. A rainha Elizabeth II acabou recuperando o brio e foi solidarizar-se com a dor dos súditos. Mas é pouco provável que Lula ganhe coragem com a mesma rapidez em que perdeu a vergonha.

6 comentários:

Túlio disse...

Desculpem.
Daqui a pouco volto a por nossas bobajadas habituais. Mas é que agora não estou com espírito.
Em breve, voltaremos à nossa programação normal.

Fábio Max Marschner Mayer disse...

A minha tese em relação a isso é que Lula ouviu demais os áulicos, os aduladores, puxa-sacos e afins, que, afinal, são muitos, dada a verdadeira horda de comissionados do PT na governo federal.

Fizeram ele acreditar ser uma unanimidade nacional, o pai da pátria, aquele que será lembrado para todo o sempre como o melhor presidente da história, o homem que mudou o país.

Só que a ilusão durou apenas até a abertura do Pan, quando ele descobriu por si só que os áulicos estavam errados. Não era verdade que ninguém o odiava. Era mentira a falácia de sua popularidade extrema, escudo contra uns poucos histéricos. Ele se descobriu ali, não o messias que diziam ser, mas o político, um político rasteiro como qualquer outro do Brasil.

E que se diga que eu não vaiaria o presidente lá, porque isso, para mim, seria má-educação para com os estrangeiros visitantes de nosso país, que nada têm de tratar de nossos problemas. Ali, naquele momento, estava o presidente do Brasil na pessoa de Lula, e não Lula, o presidente do povo.

Mas, enfim, quem sabe ainda perplexo por sua descoberta, Lula não conseguiu assimilar o acidente e lembrou dos fatos lamentáveis de seus áulicos assessores. Os mesmos que lhe puxam o saco que brincaram com a cara dos brasileiros ao dizer "relaxa e goza" ou a justificar o cáos no crescimento econômico. Os companheiros sempre presentes nas festas e recepções que, porém, não trabalham direito no ministério da defesa, na Anac e na Infraero.

Enfim, Lula descobriu que os áulicos são apenas... áulicos! Eles não têm comprometimento com nada, apenas com seus empregos bem remunerados, mesmo não sendo capazes de cumprir suas funções.

Foi duro o retorno à realidade do presidente, e seria uma verdadeira lição de política, se ele não quisesse acreditar na quimera ao isolar-se na hora da tragédia nacional e não ter coragem sequer de ir a público escancarar ao mundo que seus puxa-sacos incapazes mataram aquelas 200 pessoas!

malu disse...

Concordo com o deputado Roberto Freire:
"É um medroso, que está mais preocupado com vaias do que com as famílias."

Agora me desculpe, Fábio.
O Lulla NÃO ouve ninguém, pessoas que conheceram ele no passado confirmam que ele sempre se achou o máximo e a personificação de deus.

Eu vaiaria sim o Lulla porque "respeito não é um presente, você tem que conquistar" e ele não respeita ninguém. Covarde, fraco, nojento, traste...

malu disse...

Ah, ia me esquecendo.
Assassino de 354 pessoas até agora, só no caos aéreo, dou de "lambuja"os mortos nas estradas, hospitais públicos.
Chega, minha revolta é muito grande.

Fábio Max Marschner Mayer disse...

É Malu,

O que eu quis dizer é que o defeito de caráter dele é potencializado pelos asseclas.

É a tal coisa, qualquer homem que se acha o tal, se acha mais ainda se os amigos ficam concordando com ele sempre.

Enfim, em algum momento a realidade aparece...

malu disse...

"CORPOS EMPILHADOS E ALMAS VENDIDAS - OS DOIS LADOS DO BRASIL
por Christina Fontenelle - Tenho asco dos governantes e dos covardes que poderiam fazer alguma coisa por todos nós e nada fazem. Fazem: vão ao cinema, vão comer pizza, vão tomar chope – para falar dos de hábitos simples. Tenho inveja do tipo de consciência que lhes permite passear pelo mundo descompromissadamente..."

Esse texto traduz todos os meus sentimentos. Para ler na íntegra acesse
Diego Casagrande (mailing@criticabrasil.com.br) , tem também uma texto ma-ra-vi-lho-so da Maria Lucia V.Barbosa