terça-feira, novembro 18, 2008

O Natal de Suzana - I

"Por que se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou prá trás
Ao primeiro passo asso asso..."

Suzana cantava, em meio a balbucios quase-silêncios, essa música de sua juventude. Lembrava com saudade do tempo em que era livre, rosto ao vento, mochila nas costas, em excursões universitárias nas estradas de Minas. Anos verdes em que comer ou não comer não fazia diferença, e os hormônios se alojavam perfeitamente nos vaivéns mensais de seu corpo jovem, sequinho, rijo e naturalmente hidratado. Naquele tempo, os jovens só precisavam de uma barraca e um violão. Não havia o império dos cremes, das dietas, dos tratamentos capilares, da maquiagem e da drenagem linfática.

Cinco minutos. Esse era o período de folga que Suzana amargava entre a saída de seu personal trainer e a chegada da manicure. Antes, curtia longos períodos sentada à beira da estrada, olhando a paisagem multiverde das montanhas mineiras. Hoje, não tolera um segundo sozinha consigo mesma.

Na distração que confunde versos e melodia, traía-se na reformatação do Clube da Esquina:

"... nem lembra se olhou prá trás
Ao primeiro moço oço oço oço oço ooooooçoooo...
E lá se vaaaaai mais um diiiiiii-aaaaaa.... aaaaaaahaaaa...."

A campainha vem estourar violentamente sua bolha de devaneios.

(Leticia)

5 comentários:

Túlio disse...

Quem continua?

Fábio Mayer disse...

me aguardem...mas se algupem continuar antes, agradeço, tô de serviço até o pescoço hoje!

Vivi disse...

Difícil é continuar com o mesmo estilo, competência e glamour da Letícia.

Leticia disse...

Ai, Vivi, estou ansiosa pra ver a continuação de vocês...!
E quem disse que essa história tem competência, estilo ou glamour, fia?
É Suzana Vieira, nêga!

malu disse...

Chacolhou firmimente as madeixas louras, as maos correram por entres as almofadas com estampas de oncinha em busca de um apoio para que ela pudesse se erguer.
Nesse momento ela nota mais uma nodua em sua mao direita.
-Tenho que ligar para o dermatoligista. Imagine, eu tao nova ja com manchas pela pele.

Estica as pernas e os pes no chao.
- Aiiii, nao devia ter feito tanto pilates ontem. Mas tambem o que eh que eu tinha que ficar fazendo exercicios em plena madrugada. Bom tambem sem marido...
Levanta-se e olha rapidamente no espelho.

(Tulio
Bota os acentos, pontos e virgulas, plis!)